URBI ET ORBI
eu te vejo
ó minha Cidade
na distância e na noite
constelação encravada
no buraco negro do vale
te vejo a refletir universos
teus automóveis cometas
atravessam-te o espaço
de ruas em órbitas
de bairros em galáxias
e a cada lâmpada que se acende nos lares
és nova supernova
a pulsar dentro de mim
COSMO
e m
t o r n o
d e u m e t e r n o
R e t o r u m a e t é r e a
c o r r e n t e r e c o r r e n t e d e e n t e s
n o e t e r n o r e t e r d a q u e l a e t é r e a
t o r r e n t e d e a n t e s
e m e t e r n o
r e t o r n o
VISÃO
ANTROPOGÊNESE
Acaba de despontar por entre as borbulhas do putrefato pântano, rompendo e carregando consigo um fragmento da película que separava o líquido efervescente do ar vaporoso do crepúsculo.
Estará desde sempre condenado –o ser sem extensão nem compreensão– a errar pelos tenebrosos abismos da alucinação?
Eis que seu lento dilatar-se dá-lhe o volume e o movimento que desenha, paulatinamente, como um sol, a insólita paisagem: o lombo do arco-íris e o da montanha, o limbo da borboleta e o do horizonte, a linha do coqueiro e a do coco que cai...
O Homem: um louco no imundo domínio de suas idéias.
E a geratriz gosmenta ainda se movimenta em todos os sentidos, impondo ordem a um universo que dela não precisa; e tudo vai constituindo em seu lento evoluir, criando a necessidade.
Mas seu próprio novo ser se vai diferenciando em querer, poder e fazer, gozar e sofrer, viver e morrer, e perdendo suas formas, dissolvendo sua matéria na velocidade da luz...
Agora talvez seja apenas uma bolha que explode!
MÃE
Todo mundo é mãe às vezes,
Mas somente Mãe o é
De uma vez por todas:
Na arte de gerar,
Que engendra as outras,
Na de gerir matriz e filial,
Na de tornar o próprio pai paterno,
E de sorrir pelo leite derramado
Num céu doravante vestido
De estrelas leitosas.
Filho é folha
Que se desgarra
Em nove meses
Levando consigo o verão,
E sai chorando pela via láctea do destino
Em busca do suco de mãe,
Essência da mama
Por onde jorram deleite e mel...
Pois todo o Mundo é mãe às vezes,
Eis o fundamento da criação!
(por Waldísio Araújo)
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