DECLAMANDO AOS GRITOS E CONTRA O VENTO
É paradoxal o que a poesia busca realizar: conquistar pela intensificação da palavra aquilo que nenhuma palavra poderá jamais dizer. E perverter fonéticas, morfologias, sintaxes e semânticas até que elas se tornem não mais elementos fossilizadores da língua, mas fatores impulsionadores das manifestações lingüísticas.
Esses paradoxos são talvez o segredo que abre o tesouro da Literatura, mas não há outra forma de tentarmos aceder a este tesouro senão falando, ouvindo, lendo, escrevendo, sentindo ou pensando literariamente, embora jamais venhamos a saber como encetar tal empreendimento de modo satisfatório.
Parodiando Gilberto Gil, um poema é um receptáculo em que pode caber o incabível. Mas uma simples palavra metafórica não já o seria? Para que, então, poetizar?
Há perguntas a que somente se responde com poesia.
(por Waldísio Araújo)

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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:15:21