Waldísio Araújo

O FIM DAS VANGUARDAS COMO ARTE PARA A VIDA

(LEITURA DE ARTIGO DE ROBERT HUGHES)

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FONTE:


HUGHES, Robert. A farewell to the future that was. Time, U.S., v.117, n.7, p.32-3, feb. 16 1981.


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RESUMO:


Os anos 70 do século XX, com seu pluralismo artístico, marcam o fim da "idade da vanguarda" e de seu ideal de parentesco entre arte e vida - expresso nas idéias de renovação social pela arte. Ela começou nos salões, onde não mais eram encorajadas a opinião e a crença, mas a comparação por parte de um público de classe média o qual, na década de 70, acabará por envolver todos os aspectos da arte de vanguarda. A partir de Courbet, a arte almejou, sem êxito, um papel importante na mudança política e viu na pintura e na escultura as formas por excelência do discurso social. Ao contrário, o público dividia-se entre os que compreendiam e os que não compreendiam, criando-se, assim, elites culturais cada vez mais cristalizadas e não necessariamente coincidentes com a clivagem política. Um outro aspecto da arte de vanguarda, representado por Manet, preocupava-se com a perfeição formal e a renovação do discurso visual, não com esperanças de mudar o mundo, sendo suas possibilidades de existência dados pela sociedade burguesa, com suas permissões culturais e oportunidades de ironia. A partir dos anos 50, a arte parece ter abandonado seu papel político e a pintura e escultura cessaram de agir com a urgência anterior: sua mudança não mais parece tão importante. Apesar de ainda continuar a afetar a cultura, a dinâmica modernista e nosso relacionamento com ela acabaram.

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COMENTÁRIO:


Uma arte que apenas fala de si mesma e, pior, das pressões abstratas do mercado é o que nos sobrou. As vanguardas foram intensas até os anos 50 e ao menos nos mantiveram distantes do niilismo que hoje é quase regra cultural vigente. Se haverá formas de reverter tais tendências, não podemos saber agora; mas até lá, apesar de virarem meras peças frias de museu, as obras das vanguardas ainda exercerão em muitos de nús um inegável fascínio, além de inspirar as pesquisas técnicas e o ensino da arte.



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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:14:31




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