(LEITURA DE ARTIGO ENCICLOPÉDICO ANÔNIMO)
FONTE:
ESTRUTURA do átomo, a. In: CONHECER nosso tempo. São Paulo: Abril Cultural, 1974. p 721-3. [Fratelli Fabri, Milão, 1972]
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RESUMO:
No final do século XIX, experiências com descargas elétricas em tubo de vácuo levaram à descoberta da primeira partícula subatômica, o elétron, fazendo com que o átomo deixasse de ser considerado a esfera compacta imaginada por Dalton: o elétron tem massa insignificante, envolve o núcleo e é o responsável pelas ligações químicas, sendo dotado ainda de movimento rotativo. Após a descoberta da radiatividade (Becquerel, 1896) e o isolamento do rádio, os cientistas puderam combardear o núcleo atômico, provando sua minúscula dimensão em relação ao átomo (Rutherford, 1911), apesar de ser cosntituído de partículas como o próton, de carga elétrica igual à do elétron mas de sentido contrário, ou o nêutron (Chadwich, 1932), cuja massa praticamente igual à do próton é eletricamente neutra. Outras partículas foram descobertas mediante o bombardeio com raios cósmicos: o posítron (1932), talvez semelhante ao elétron, mas de carga positiva; os mésons, de massa intermediária entre a do elétron e a do próton e que incluem os mésons mu positivo e mu negativo (descobertos em 1936), pi positivo e pi negativo (1947) e pi neutro (1950), e as partículas V, positivas, negativas e neutras, de massa maior que a do próton e que se decompõem, provavelmente, em prótons e mésons (1947). Na decomposição de núcleos radiativos, notou-se que a soma das energias das partículas produzidas não era igual à do núcleo decomposto, o que levou a sugerir-se (1931) a existência do
No último quarto de século descobriram-se mais de cem partículas subatômicas, que foram agrupadas em famílias (Gell-Mann), do que se intuiu serem as partículas ditas "elementares" formadas de outras ainda mais simples, ou quarks (p, n, e lambda, com seus respectivos anti-quarks, tendo os lambda spin nulo) - de cargas elétricas fracionadas: assim, um próton seria formado de um n-quark (-1/3) e dois p-quarks (+2/3, cada); chegou-se a anunciar a descoberta de traços de partículas com cargas fracionadas entre chuvas de partículas produzidas por colisões de raios cósmicos (McCusker, 1969). Contudo, não se sabe se os quarks seria constituídos de partículas ainda mais simples, nem que forças as mantêm unidas: a descoberta do méson pi e de suas propriedades pareceu, contudo, confirmar a teoria de Yukawa (1935) que diz serem as forças atuantes no núcleo relacionadas com a destruição contínua de partículas, na época desconhecidas.
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COMENTÁRIO:
Nesse maravilhoso mundo das partículas subatômicas, ainda é utilizado o termo "átomo" porque a ciência não pode se livrar de seu preconceito mais constituinte: o de que talvez não exista nenhuma substância, um ser agente ou paciente, que apenas existem forças e manifestação de forças, não um substrato que exerceria essas forças. Para chegar a isso, a ciência teria que reconhecer o abismo que se recusa a ver a seus pés: os princípios da ciência, por mais experimentais que pareçam, são os velhos princípios metafísicos da causalidade ou da substância. Que existe algo, enquanto concentração de forças, a que chamamos "átomos", parece claro; o que não é tão óbvio quanto parece é que esse átomo seja o constituinte último de todas as coisas.

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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:14:30
Inha (e-mail anônimo) escreveu, no dia 07/07/2009, às 18:28:49: