Waldísio Araújo

DE COMO UM ORGANISMO PODE EVOLUIR EM ORGANELA

(LEITURA DE ARTIGO ENCICLOPÉDICO ANÔNIMO)

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FONTE:


ORGANELAS celulares. In: CONHECER nosso tempo. São Paulo: Abril Cultural, 1974. p 564-7. [Fratelli Fabri, Milão, 1972]


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RESUMO:


No citoplasma há certas organelas celulares - mitocôndrias (presentes em quase todos os seres vivos e responsáveis pelo armazenamento de energia, sob forma de ATP, e produção de proteínas) e cloroplastos (presentes em algas e vegetais superiores, desenvolvem a fotossíntese, na qual também se produz ATP) - que, além de DNA e RNA, possuem aparelhos completos para a síntese de proteínas: os ribossomos. Ora, as duas organelas parecem mesmo reproduzir-se e desenvolver-se independentemente dentro da célula, a tal ponto que, se providos de substratos adequados, poderiam duplicar fora da célula seu DNA, sintetizar o RNA e formar proteínas a partir da união de cadeias de aminoácidos; ademais, descobriu-se que a porcentagem de guanina-citosina no DNA das mitocôndrias é bem diferente da do núcleo da célula, ao passo que, nos vegetais, difere nos DNAs nuclear, mitocondrial e cloroplástico. Por outro lado, o DNA das organelas - em forma de fibras e desprovidos das proteínas histonas -, embora pareça exclusivo de células nucleadas, é semelhante ao das algas verde-azuis e das bactérias, cujos núcleos (ou nucleótides) não são separados por membrana, assim como não o é o núcleo das organelas, semelhança que se amplia com a constatação de que os ribossomos daqueles procariontes assemelham-se, em tamanho e constituição, aos das organelas, sendo em ambos os casos inibidos pelo antibiótico cloranfenicol.


Tudo isso tem provocado a suspeita de serem as organelas descendentes de primitivas bactérias e algas verde-azuis que se teriam associado às células primitivas, dotando-as de meios adicionais de energia e tornando-as mais aptas que as outras. Mas as organelas são dependentes da célula por não possuírem muitas das proteínas enzimas necessárias à biossíntese de nucleotídeos, aminoácidos e outras substâncias; a maioria dessas enzimas e outros componentes, encontrados exclusivamente nas organelas, é sintetizada sob o comando de genes localizados no DNA do núcleo da célula; por motivos de economia e eficiência biológicos, as organelas talvez tivessem perdido alguns genes e, portanto, algumas atividades, precisando do citoplasma para fornecer as enzimas que, ali, estariam acessíveis a todas as outras organelas também. Em suma, tudo parece sustentar a tese da simbiose.

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COMENTÁRIO:


O artigo faz pensar numa questão biológica (com ramificações filosóficas) importante: até que ponto existe o indivíduo? Não seriam os seres vivos, como o queria Nietzsche, resultado de luta e alianças entre forças vivas, efeito das configurações sucessivas da Vontade de Potência? Como em Heráclito de Éfeso (e, em parte, Darwin) a guerra é a mãe de todas as coisas... E uma simbiose pode ser entendida também como aliança, alternativa guerreira para incremento de força.



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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:14:29




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