(LEITURAS DE OBRAS LITERÁRIAS DO AUTOR)
APÓLOGO BRASILEIRO SEM VÉU DE ALEGORIA (In: Contos Avulsos, 1961 - póst.)
Num trem que transporta pessoas do matadouro de Maguari para Belém, à noite, as pessoas, conformadamente, viajam na escuridão. Um cego, porém, ao saber que estavam no escuro, indigna-se contra o alijamento das pessoas em relação ao progresso da humanidade, acusando dessa situação os exploradores do povo e o governo. Seu discurso inflama os passageiros, que acabam por depredar os estofos dos bancos. A polícia de Belém nada pôde fazer, exceto prender por desacato um passageiro que jurava ter sido encabeçada por um cego uma rebelião contra a falta de luz.
COMENTÁRIO:
Alegoria do conformismo social e de suas consequências. Inconscientes do quanto são manipuladas por poderes superiores e alijadas dos benefícios do progresso social, as pessoas tornam-se vítimas de seus próprios líderes, e mesmo uma consciência da sua real situação não impede que canalizem contra si mesmas a revolta. Por trás de tudo isso, a própria repressão faz-se vítima da falta de coerência que ajudara a instaurar.
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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:14:27
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