(LEITURA DE ARTIGO DE WENDEL SANTOS)
FONTE:
SANTOS, Wendel. O lugar do lírico. In: _____. Crítica: uma ciência da literatura. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 1983. p. 65-74.
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RESUMO:
No Ocidente, os modos fundadores da concretização do literário na história (o épico, o dramático e o lírico) surgiram submetidos à forma do poema e têm sido ligados a uma dicotomização básica: por um lado, o modo da ficção, que engloba o épico e o dramático, modos da mímese; por outro lado, o lírico, que é um modo solitário do legein. Ora, na terminologia aristotélica, mimesis equivale a poiesis e é, portanto, "criação de um mundo de pessoas" [grifo nosso], ao passo que legein apenas "diz o mundo existente" equivalendo, pois, a logos; e enquanto o poien cria um mundo através da linguagem, o lírico transforma o mundo não em um outro mundo, mas em um mundo do sujeito, mundo cuja natureza não é diversa da do mundo existente, mas a do mesmo universo cotidiano esquematizado pela singularidade da vivência: o lírico "transforma a realidade objetiva em realidade subjetiva vivencial, razão por que permanece como realidade" (Kate Hamburger). O lírico propõe a realidade como um campo de experiência do pensamento (ou seja, como dianoia), e se na ficção também existe um ver o mundo, tal visão é a visão de um cosmos: "Um mundo é criado, em mímese, e, por trás desse mundo, brilha a centelha de uma idéia"; " O bloqueamento estético (...) no modo lírico resulta de uma interposição de vivência" (um modo do eu), não de outro mundo que se cria (um modo do mundo). Tal insuficiência cosmogônica do lírico liga-se ao seu egoísmo radical, ao seu desinteresse em operar com outros sujeitos de vivência, o que permite ao poema (organização concreta do lírico) exercer uma descrição do ser: se o lírico transforma a imagem em palavra não é para, em seguida, reverter a palavra em imagem, mas para transformá-la em verdade do ser.
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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:14:26
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