(LEITURA DE ARTIGO DE MARGARETE VALE)
FONTE:
SOUSA, Margarete Vale. O coração que pulsa nas veredas do conhecimento. In: FERREIRA, Adir Luiz (org.). Entre flores e muros: narrativas e vivências escolares. Porto Alegre: Sulina, 2006. p.53-70.
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RESUMO:
As servidões cartesianas e positivistas, guardiãs da objetividade a todo custo, impedem que se veja a importância de aaprender e de produzir conhecimento a partir do erro e da subjetividade e, assim, viciam a educação e a pesquisa. Buscando investigar e superar tais reduções da complexidade do pensamento, a autora propõe uma abordagem autobiográfica de sua vida docente como forma de, contra a ciência clássica e o ensino vigente, reinserir o observador e seu meio sócio-histórico na observação.
Conta a autora como andou imersa num mundo acadêmico em que o pensamento e a ação são contraditórios, posto que o primeiro prega uma aprendizagem que leve em conta a interação entre o educando e o seu meio, e a segunda atua segundo práticas educadoras rigidamente padronizadas, distantes de toda a riqueza do vivido. Buscando compreender(-se) melhor (em) esse contexto, ela resolveu então explorar procedimentos metodológicos heterodoxos (etnopesquisa crítica e multirreferencial) que, entre outras coisas, segundo ela, denunciam e evitam as formas sub-reptícias de preconceito social e escolar o que, porém, exige um certo trabalho de autodesconstrução, a fim de trilhar caminhos cognitivos desconhecidos, complexos, transgressores - que, ao mesmo tempo, permitam manter vivas a incerteza, a contradição e o erro (inapelavelmente punidas pelo sistema vigente) e mesmo o respeito aos processos e resultados da pesquisa tradicional.
Portanto, as novas abordagens, aliadas à utilização da autobiografia e do registro autorreflexivo sobre a própria prática de ensino permitem melhor harmonizar teoria e ação na formação continuada do professor, coisa que a autora ilustra com seu relato do desenvolvimento, em Natal (RN) do Programa de Alfabetização de Professores Alfabetizadores (PROFA). Finalmente, o resultado desejado é o de que o professor seja sempre convidado (e autoconvide-se) a transgredir as barreiras do preconceito a tudo o que é diferente, tornando-se e sentindo-se livre para errar humanamente, duvidar das fórmulas consagradas, deixar-se interferir na pesquisa e, em suma, libertar-se para multiplicar com paixão os sentidos da vida.

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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:14:24
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