(LEITURA DE ARTIGO DE FRANCIS-WILLIAMS)
FONTE:
FRANCIS-WILLIAMS, Lorde. A era de Hearst e Northcliffe. In: ABRIL CULTURAL (ed.). História do Século XX: v.1: 1900-1914. São Paulo: Abril Cultural, 1974. p. 2-5. [Copy.: Londres, BPC, 1968].
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RESUMO:
Na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, a imprensa popular da passagem do século XIX para o XX teve seu maior impacto. Em ambos, tal desenvolvimento teve características semelhantes - notícias e artigos acessíveis, organização nos moldes de sociedade limitada e obtenção de lucros a partir da propaganda, o que permitia a vendagem a um público de menor renda - e deveu-se às rápidas mudanças que ocorriam na sociedade, acompanhadas pelo avanço tecnológico da indústria das comunicações (invenção e desenvolvimento de uma impressora rotativa, de máquinas de composição operadas por teclado, de um papel capaz de suportar a pressão das rotativas em alta velocidade, além do telégrafo e do cabo submarino, que transformaram a busca de notícias). Contudo, a imprensa britânica (Daily Mail, de Lorde Northcliffe), graças à extensão relativamente pequena do território, à alta densidade populacional e à rede ferroviária que se irradiava a partir da capital, evoluiu como imprensa nacional e pôde, assim, visar apenas a um segmento da população do país (no caos do Daily Mail, a nova classe média baixa). Já a imprensa norte-americana (New York Journal, de W. R. Hearst), devido ao tamanho do país, desenvolveu-se regionalmente vendo-se obrigada, por isso, a orientar-se para o maior conjunto possível de leitores. Embora resultasse de mudanças trazidas pelos novos tempos, o jornalismo de massa refletiu, em cada lugar do mundo, a sociedade da qual fazia parte.
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COMENTÁRIO:
Levando em conta as condições técnicas, mercadológicas e financeiras para o surgimento de um jornalismo de massa, o autor desvenda uma tipologia a partir dos casos norte-americanos e britânico, num artigo que faz lembrar o Idealtypus weberiano. Seria interessante repensar o presente (logo, o futuro) da grande imprensa a partir daquele momento decisivo, agora que os veículos de comunicação de massa representam não mais um "quinto poder", mas o poder hegemônico de fato em um mundo globalizado mas (felizmente) sem um órgão mundial de imprensa.

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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:14:21
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