(LEITURA DE ARTIGO DE M. GOUGH)
FONTE:
GOUGH, Michael. De Constantino a Justiniano: o panorama religioso. In: ______. Os Primitivos Cristãos [the early christians]. Lisboa: Verbo, 1972 (impr.). cap. IV, p. 100-15.
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RESUMO:
Num clima político favorável, numa nova capital (Bizâncio) e com o cristianismo como religião dos imperadores, a Igreja viu-se diante da necessidade de defender o dogma ortodoxo contra as heresias que começaram a pulular em meio a disputas que (exceto no interlúdio neopagão de Juliano, o Apóstata, entre 361 e 363) foram acirradas pela intervenção imperial:
Enquanto ocorriam tais disputas teológicas e o Império do Ocidente ia sucumbindo ao ataque dos bárbaros, o cristianismo foi-se difundindo em direção à periferia e ao exterior do Império: Escócia e Irlanda, Síria, Pérsia (de onde irradiou-se em direção ao Império chinês), Armênia (onde se formara o primeiro estado cristão, de cunho monofisista) e Etiópia (onde se associou à igreja copta do Egito, aproximando-se do monofisismo).
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COMENTÁRIO:
Apesar de não estritamente filosófica, toda essa disputa foi moldando o Cristianismo e dando-lhe o vigor necessário para assumir os poderes do mundo. Acho apenas que o autor substancializou em excesso a noção de ortodoxia, dando a impressão de tomar esta como dado, como um núcleo que resistiu a tudo o que fosse heterodoxia. Na verdade, mais realista seria considerarmos que a própria ortodoxia foi forjada durante a luta, o que quer dizer que ela seria bem diferente do que veio a ser caso as forças em conflito tivessem se comportado de forma diferente. Para concluir, essas forças não eram apenas de opinião, mas políticas, sociais, econômicas etc..
(por Waldísio Araújo)

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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:14:20
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