CARACTERÍSTICAS DOS PERÍODOS FILOSÓFICOS GRECO-ROMANOS
LEITURA DE PARTE DE OBRA DE ABBAGNANO
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FONTE:
ABBAGNANO, Nicolas. Filosofia antigua. In:______. Historia de la filosofia: tomo I: filosofia antigua, filosofia patrística, filosofia escolástica. Trad. Juan Estelrich. Barcelona: Montaner y Simon, 1955. Parte 1, p. 1-183.
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RESUMO:
Ao contrário da sabedoria oriental, cujo fundamento é a tradição, a filosofia grega é investigação, surge mediante um ato de liberdade frente à tradição e a qualquer crença aceita como tal; visa a sabedoria que o homem ainda não possui e que, portanto, deve buscar – no caso da filosofia propriamente dita, é a busca autoconsciente, a qual põe o próprio problema da busca em si e de seu valor para o homem. Ora, de acordo com a atitude ante o problema fundamental da busca, podemos distinguir cinco períodos:
1) Cosmológico, que procura a unidade garantidora da ordem do mundo e a possibilidade do conhecimento humano e inclui:
- a) os JÔNIOS, que procuram para além do devir a unidade e a permanência da substância, concebida como elemento corpóreo;
- b) os PITAGÓRICOS, que identificam a substância com o número, lançando a hipótese de se poder mensurar a ordem dos fenômenos;
- c) os ELEATAS, que negam a realidade do devir, agora reduzido a simples aparência, elevando a substância ao plano ontológico e fazendo dela o único objeto da busca;
- d) os FÍSICOS POSTERIORES, que tentam salvar a realidade dos fenômenos explicando o devir pela ação de uma multiplicidade de elementos qualitativa e quantitativamente diversos;
2) Antropológico, que busca a unidade do homem em si mesmo e com os demais, como fundamento e possibilidade da formação do indivíduo e da harmonia da vida social. Inclui:
- a) os SOFISTAS, cujo interesse é prático-educativo, tornando a busca, intencionalmente ou não, antropológica;
- b) SÓCRATES, que busca o exame incessante, em si mesmo e nos demais, do verdadeiro saber e da melhor maneira de viver, ou seja, identificando ciência e virtude (nos Socráticos Menores, a parte teórica da investigação é relegada a segundo plano);
3) Ontológico, que busca na relação entre o homem e o ser a condição e a possibilidade do valor do homem como tal e da validade do ser como tal, o que sintetiza os dois períodos anteriores. Inclui:
- a) PLATÃO, que empenhou-se, partindo da interpretação da personalidade filosófica de Sócrates, (que identificava ciência e virtude), na busca do significado e realidade da vida humana. Isso o conduziu à doutrina das idéias, cujas dificuldades seriam vencidas no período da velhice, que fez corresponderem a virtude e a ciência da medida, base rigorosa do ensino e da educação em sociedade (o ensinamento platônico manter-se-ia substancialmente o mesmo sob seus discípulos da Antiga Academia);
- b) ARISTÓTELES, cuja doutrina da substância atribui ao ser enquanto tal seu próprio valor, não fundado nos valores morais, o que lhe permite fundamentar a busca em quaisquer manifestações do ser, por mais ínfimas que sejam, mas reforçando o primado da vida teorética, tipo mais perfeito da vida humana (a Escola Peripatética continuará a apresentar as características do último período da atividade do mestre);
4) Ético, que procura a conduta ideal do homem e caracteriza-se por uma diminuição do valor teorético da busca, subordinando a ciência como um meio ao fim que é a felicidade enquanto “ataraxia”. Inclui:
- a) os ESTÓICOS, que consideram a felicidade como “vida conforme a natureza universal”;
- b) os EPICURISTAS, que põem como condição da felicidade o cálculo dos prazeres;
- c) os CÉTICOS, que põem como condição de felicidade a crítica e negação de qualquer doutrina determinada, não mais procurando sequer o fundamento e justificação da própria busca;
- d) os ECLÉTICOS, que procuram um terreno comum onde as tendências anteriores possam conciliar-se e fundir-se, sendo o acordo comum dos homens o critério de escolha dos elementos que se prestam a ser conciliados;
5) Religioso, que procura para o homem sua reunião com Deus (considerado como único caminho de salvação), a subordinação da investigação filosófica a um fim prático cujo valor vem de uma revelação transcendente ou de uma sabedoria originária, ou seja, de uma tradição religiosa. Inclui:
- a) a filosofia da ÉPOCA ALEXANDRINA, que tenta recolher os elementos religiosos implícitos no pensamento grego ou conduzir as religiões orientais ao pensamento grego;
- b) o NEOPLATONISMO, no qual as tendências anteriores fundem-se com o platonismo numa vasta síntese.
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COMENTÁRIO:
A busca e a autofundamentação da busca greco-romanas tiveram como suportes, sucessivamente, 1) a "matéria" que serviria de princípio a todas as coisas (período cosmológico); 2) o homem em sua constituição íntima, tanto individual quanto socialmente (período antropológico); 3) o ser, que engloba o mundo e o homem e, portanto, sintetiza os dois períodos anteriores (período ontológico); 4) a práxis, com a diminuição do valor teórico da busca (período ético), e 5) a divindade, que se revela na crença, num movimento que reduz ainda mais o valor da investigação teórica (período religioso).
Caso esteja correto o esquema evolutivo de Abbagnano, podemos concluir que a filosofia greco-romana tendeu a distanciar-se cada vez mais da pura aceitação da crença e a minimizar a concepção de um caráter imanente da origem das coisas e dos fundamentos da busca do conhecimento delas. Não mais válida por si, a crença tenderia assim a ser fundamentada a princípio em fatores imanentes ao mundo e, no final do desenvolvimento, na concepção de algo transcendente ao universo e revelado ao homem, ainda que nunca se tenha eliminado a possibilidade de uma aproximação entre um e outro, como o mostra o Neoplatonismo. O caminho estava aberto, então, à filosofia cristã, que, até aquele momento, ainda não se engajara num transcendentalismo radical e que podia, assim, alimentar-se da grande síntese neoplatônica - a qual, paradoxalmente, nos apareceu como última tentativa de rejuvenescimento do Paganismo, mas como sinal dos tempos.
(por Waldísio Araújo)

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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:14:19
CONTRIBUIÇÕES:
JOYCE (joyce.-oliveira@hotmail.com) escreveu, no dia 16/09/2009, às 14:00:16:
Comente com suas palavras os principai fatores que favoreceram o fenômeno originário na Grecia, "FILOSOFIA".
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