Waldísio Araújo

DOS LIMITES DO SER HUMANO

DESCONHECE-TE A TI MESMO

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O Homem Vitruviano, desenho de Da Vinci

1


O maior limite do homem é sua constitutiva cegueira para o que ele seria em si mesmo. Na verdade não existe esse "si mesmo", e se existisse não seria pensável ou expressável, porque faz parte do homem somente poder pensar e expressar-se mediante conceitos e palavras, e ambos ocultam antes que revelam. A maior tolice da História da Filosofia foi, então, o "conhece a ti mesmo" da maneira como foi dito por Sócrates: este, ao invés de dizer "Perscruta a ti próprio, e verás o abismo que és", conclamou o homem a medir-se a si mesmo pelos conceitos, sem levar em consideração que só se pode medir um abismo após saltá-lo.



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2


A Medicina não visa, no mais das vezes, fortalecer-nos, mas apenas evitar que adoeçamos. Com isso, ela simplesmente perpetua e agrava nossas fraquezas, ainda que estendendo a duração e o conforto de nossas vidas (aliás, por isso mesmo, talvez).



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3


Apenas restou na urna o último mal. Mas, como mal residual — e posto que só há males em relação a bens, e vice-versa —, a Esperança, maldição de Zeus legada aos homens, é o nosso maior tesouro.... Mãe Pandora, guardai-o por nós!



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4


Todas as coisas limitam-se por todas as outras, pela resistência que sofrem de todas elas, na medida mesma em que sobre elas agem. Esses limites não podem ser eliminados, mas é o poder exercido por cada força o que irá ampliar ou restringir esses fluidos limites. O sucesso em perpetrá-lo cria o estado de embriaguês diante do qual dor e morte nada mais são que incentivos à ação. Diante disso tudo, resta ao homem arriscar-se num salto sobre o Abismo que o faça adquirir asas e tornar-se outra coisa, acima dos seus limites, mas isso só pode ser conquistado se a Esperança deixar de fundamentar o medo e a inécia e tornar-se força propulsora. De qualquer forma, o mais importante é que o Homem pereça no salto.



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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:12:02




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CONTRIBUIÇÕES:


Waldisio (waldisio@hotmail.com) escreveu, no dia 21/09/2008, às 17:39:25:

Sim, bem pensado! E um conhecimento fértil, pois nos coloca como enigma e mistério, acentua a intensidade do ser paralelamente à sua construtividade. É um reencontro com o Abismo e as potências do Caos, de onde talvez venha toda a possibilidade de criação.

suzie (suzane_g@hotmail.com) escreveu, no dia 21/09/2008, às 15:50:03:

Não seria o conhecimento da impossibilidade de conhecer-se um altíssimo grau de auto-conhecimento?