PARA QUE SERVE A LIBERDADE?

1
Em seu famoso quadro, Gauguin interroga-se sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Mas como responder a cada uma dessas perguntas, se sequer sabemos o que nossos poderes podem?
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2
Por mais fortes que sejamos, de há muito não passamos de animais domesticados, e dentro da jaula desta domesticação uma fera selvagem, forte e bela, sedenta de liberdade, se debate e se fere por entre as grades. Por medo e comodismo, evitamos libertar essa fera, e a maioria de nós mente para si mesma o suficiente para sequer aceitar conceber que a fera exista, mas é ela que detém os segredos de nossa força e é o seu aprisionamento o que nos torna inconscientemente infelizes. Que se desconfie, pois, de todos aqueles que se auto-intitulam "libertários" e que se atêm à mera crítica das regras e preconceitos de superfície, mas que temem encarar o cárcere profundo — cuja invisibilidade se deve, paradoxalmente, ao fato de ser óbvio demais.
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3
Dizem que a descoberta da infinitude do universo trouxe ao homem a angústia de sentir-se sozinho, diminuto e impotente diante da imensidão cósmica. Isso é subestimar a força íntima do homem do Renascimento, que muito provavelmente concebeu um universo infinito a fim de que dispusesse de mais amplidões a conquistar.
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4
Sim, tuas ações são imprevisíveis para mim, ainda que nada impeça de lhes adivinhar as consequências tão logo comeces a agir. O difícil mesmo é notares que tuas ações são imprevisíveis também para ti.
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5
O grande homem não é comumente o altruísta, mas aquele que busca fazer grandes coisas a fim de criar um mundo suficientemente amplo para comportá-lo. Ocorre que muitas vezes esse mundo é vasto o suficiente para que nele caiba a humanidade inteira.
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6
Denunciar e lutar contra o sistema, o preconceito, a superstição, a repressão sexual ou a inconSciência política são coisas importantes e prenhes em consequências. Mas o verdadeiro guerreiro sabe ou pressente que o iniimigo não é tão facilmente localizável, não se deixa aprisionar em conceitos como "burguesia", "machismo" ou "religião", mas se esconde mesmo em seus aparentes opostos. Não nos redimem, pois, ateus, marxistas, libertários ou os adeptos da revolução sexual, pois eles são também aliados dos nossos inimigos. Precisamos derrotar, ao contrário, não as forças em oposição, mas as que dividem imaginariamente os inimigos em duas alas para melhor cercar-nos e confundir-nos. Mediante esse estratagema, o inimigo acaba por habitar em nós.
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(por Waldísio Araújo)

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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:11:59
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