Waldísio Araújo

A VIDA E O IMPULSO DE VIVER

UM MERGULHO NA ATIVIDADE ESPONTÂNEA

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Fausto, por Noel Paton

1


O Darwinismo é sintomático do estágio atual das ciências ao ocultar a explicação do início e a do fim da evolução, ou melhor, ocultar a relevãncia do problema do surgimento e desenvolvimento do impulso da vida. Por um lado, a ãnsia de tudo o que é vivo pela manutenção do indivíduo e da espécie permanece incógnita insolúvel; trata-se então de expulsar o problema para a Bioquímica — que, por sua vez, o expulsa para a Física, a qual, definitivamente, não o pode resolver porquanto não se põe o problema do Impulso em si. Por outro lado, o darwinismo evita excessivamente a questão do papel biológico da cultura e, por extensão, a da tendência geral da evolução humana, provavelmente porque só consegue pensar em termos de dualidades como a de natureza e cultura, que encobrem fusões provisórias como a da domesticação — que faz com que os mais fracos sobrevivam mas à custa da necessária manutenção da cultura. A Ciência biológica tem privilegiado o papel da mutação, quer espontânea quer induzida, mas não ousa perguntar-se que tipo de mutação faria transcender o homem para uma nova espécie, apenas acredita no poder de futuras mutações, levando ou não em conta a cultura. Mas mutações poderiam realmente garantir um impulso de viver que a Ciência sequer entrevê nas origens de tudo o que é vivo?



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2


Alguns pensadores antigos acharam que o querer é sintoma de uma carência, o que foi sua forma sutil de moralizar a Vontade. Mas "querer", ao contrário, não seria sintoma de abundância e de não contentar-se com esta?



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3


Por que há a ânsia de vida, da mínima bactéria ao maior dinossauro e ao homem? Provavelmente não haverá finalidade nenhuma nessa luta insana do universo e dos organismos. Mas o fato de não haver finalidade não impede que haja um inesgotável Desejo, diante do qual sobrevivência e estabilidade nada significam, e que busca a totalidade, antes que o Nada. Diante disso, a evolução não representa um progresso, e o homem não é um ápice, mas talvez uma decadência — posto que ele é o único ser capaz de procurar, morbidamente, uma razão para viver.



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(por Waldísio Araújo)




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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:11:55




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