
1
Construímos um mundo quando criamos conceitos, e o destruímos quando os pensamos.
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2
Fora dos conceitos, PARA NÓS não há nada. Mas isso não impõe que haja o Nada, pois são apenas esses mesmos conceitos que postulam tal Nada. E devemos evitar aqui cairmos na armadilha posta pelo Argumento Ontológico, que pretende que do conceito do Deus perfeitíssimo se inferiria necessariamente a existência de Deus pelo suposto fato de a existência ser uma perfeição. Deve-se evitar esquecer que "perfeição" só faz sentido enquanto valor, logo relativamente a fins e meios. Portanto, a premissa da perfeição do Ser (que nos leva a inferir o Nada) só faz sentido num mundo dos valores, não numa "objetividade" racionalmente fundamentada.
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3
Nossa percepção não nos pode mostrar tudo, pois se atém aos chamados "limiares dos sentidos", o que quer dizer que só podemos perceber visual, auditiva ou tatilmente dentro de uma faixa restrita de frequências e respectivos comprimentos de onda. Assim, somos cegos para cores do infravermelho para baixo e do ultra-violeta para cima, assim como surdos fora de certa faixa de sons — além da qual temos a dor. Do mesmo modo, imagino que nos seria doloroso conduzir nossa ânsia de verdade e de expressão para além dos confortáveis limiares de nossos conceitos e palavras. Quem diz-se "livre-pensador" mas não se aventura nesse abismo não é, em verdade, pensador, nem tampouco livre, pois "pensar livremente" deveria ser também PENSAR feridas...
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(por Waldísio Araújo)

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Última atualização do texto: 08/08/2008, às 01:11:52
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